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Sonhei que esqueci a máscara: o que significa?


Com o advento da pandemia, diversos indivíduos tem relatado sonhos que estão em ambientes públicos sem suas máscaras, sentindo, no sonho, certo desconforto e até um medo de se infectar pelo coronavírus.


Um único sonho nos traz múltiplas direções de compreensão, este artigo não apontará todas, afinal, somente uma análise mais profunda abarcaria uma ampliação maior de tal sonho. Caso você se interesse por uma sessão de terapia clique aqui.



A partir da análise de sonhos, pode-se afirmar que este é um sonho que coloca o indivíduo precavido e aponta o seu medo diante da pandemia, mas não somente isso, a ampliação deste sonho também traz outros sonhos como os que os indivíduos estão nús ou sem seus sapatos ou similares, também em espaços públicos. O que nos leva a crer que sonhar estar sem máscara pode ser um questão de persona/sombra.


De fato, as personas tem se transformado pelo mundo. Não se usa mais a mesma roupa formal no home office. Os horários de trabalho foram alterados: alguns indivíduos não estão trabalhando; outros, por não terem mais hora para trabalhar, trabalham toda hora. Muitos autônomos e empresários tiveram que reformular os seus negócios para se sustentar, etc. Os mais abastados até saíram da cidade e foram para o campo (alguns tem até reclamado que não podem mais usar seus sapatos).


Em casa, familiares/cônjuges estão convivendo mais entre si, isso faz com que as projeções/transferências fiquem mais avivadas, criando uma oportunidade do indivíduo se aproximar de sua sombra. Quem não tem prontidão para o autoconhecimento, acaba por agravar as brigas e discussões nos relacionamentos. Não à toa o número de divórcio aumentou drasticamente durante o isolamento.


Ficar diante da própria sombra é retirar a máscara e perceber que a máscara não abarca inteiramente quem se pensa que é.
Isso pode gerar um extremo desconforto e pânico.

Mitologicamente , esta situação é olhar para os olhos da divindade Pan (pandemônio, pandemia, pânico), que brilham da moita trêmula, na penumbra da floresta. Pan assusta qualquer um, pois ele é tudo e nada ao mesmo tempo, ele é o paradoxo e o absurdo que a consciência não gosta de abarcar. Sabia mais sobre Pan e o coronavírus aqui.


A persona, a partir da teoria junguiana, tem a função de sociabilização, de adaptação e de apresentação do indivíduo ao mundo. Isso também significa certa proteção. Não se pode entender a persona errônea e negativamente, como sinônimo de falsidade ou similar. O grande problema é quando o "eu" se identifica demasiadamente com sua persona, gerando um empobrecimento do viver, tornando-se ele unilateral.



Além do olhar para a própria sombra, seria interessante também olhar para a Sombra Coletiva. Não à toa a humanidade está presenciando, em meio à pandemia, diversos protestos contra os "ismos": facismos, racismos, etc.. O que se pensou ser o "humano": aquele ser igualitário, frateno, liberto, descobriu-se ser mera ilusão. Na humanidade existe essa versão ligada à equidade sim, mas também existe o seu oposto.


Talvez haja aí uma identificação com uma persona ideal: a do Self Made Man, a do individualista, etc.. A Luz Coletiva (hegemônica) do individualista agora está sofrendo duros e necessários golpes de sua própria Sombra: de seu facismo, de seu racismo, etc. Espera-se que com isso a alteridade emerja na humanidade.


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