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O Dia que a Terra Parou - Coronavírus e Evolução

Há muito tempo diversos pensadores sociais defendem a necessidade de freiar o que se chama de desenvolvimento, progresso, etc.. O capitalismo para alguns autores já não é mais considerado somente um sistema, mas uma religião, uma divindade de tamanho poder imensurável que muitas vezes só é percebida no infarto, na crise de pânico, no burnout, entre outros.


Em paralelo, cientistas da Vida tem falado desde o século passado que o planeta Terra está se esgotando, que o ser humano não tem respeitado a Natureza e que os níveis de lixo e poluição estão chegando a um grau irreversível. Brumadinho e Mariana, a queimada da Amazônia são exemplos próximos de nós.



Enquanto isso, quem estuda as relações e interações humanas tem alertado que cada indivíduo, em seu cotidiano, tem deixado a alteridade e o senso de grupo de lado, em prol de um individualismo sem limites. Estamos divididos, cindidos de todas as formas. Ninguém mais entende ninguém. A palavra que honra o deus capitalismo é o sucesso e os jovens vão em busca cegamente dele.


Já, idosos em condições precárias tem cometido suicídio pois não há mais amparo, nem da família, nem do Governo, que já fora vendido ao sistema. Isso significa também que a família está cindida. No mundo de ontem, e talvez o de amanhã, nas grandes cidades, era difícil alguém que realmente conhecia o seu próprio vizinho.


Imaginar um mundo melhor a partir destes apontamentos é fácil. Precisaríamos desacelerar o que chamamos de progresso, desenvolvimento, ou então, estabelecer um objetivo que não seja o do lucro. Uma vida mais saudável para todos poderia ser o objetivo, por que não? Assim, os índices de poluição seriam cada vez mais importantes e considerados, atitudes como reciclagem e cuidado com a Vida e com o Ecossistema seriam ampliados: o movimento seria do ego para o eco.


As barreiras deveriam cair: já pensou em começar a considerar que não há fronteiras no mundo, que somos todos um único povo, como Lennon já cantara? E por isso mesmo, é necessário olhar para o outro, entender e ter empatia com o outro: com aquele que está do lado, com o mais velho e o mais novo. É um dever de todos mostrar a importância de cada um em uma sociedade e não deixá-los a mercê a ponto do suicídio ser a melhor opção. E como conseguimos atingir todos esses benefícios?


Na melhor das hipóteses a busca constante pelo autoconhecimento e pela ampliação da consciência seria a resposta, mas parece que poucos quiseram olhar para dentro de si e enxergar o individualista, o narcisista, o egoísta, o violador dentro de si para transformá-lo. De qualquer forma, o movimento do Self vem e veio, é, foi e sempre será inevitável. Dessa vez, pode ter vindo com o coronavírus.


Hoje, e talvez somente hoje, curiosamente, o coronavírus fez a economia desacelerar, a poluição está em um índice baixo jamais visto na China, tivemos que voltar para dentro, da casa, da família, de si mesmo, e invariavelmente teremos que nos confrontar com a Sombra. Mas também, em meio ao pânico e ao clima escatológico, os vizinhos resolveram ir para as varandas brincar, tocar instrumentos, dançar, rir juntos na Itália. Pan nesta hora é honrado pela música e deixa de atazanar muitos, assim como sempre foi feito em rituais arcaicos. Os idosos estão sendo vistos e cuidados no Brasil. E no fim, o vírus mostrou que não importa as fronteiras e os muros das mãos que os impuseram, é por essas próprias mãos que ele toma o Planeta inteiro. Resta-nos aprender com esta Pandemia.

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