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Mensagem final de 2019

Mais uma vez, estamos no pôr do sol do ano, ou, no tarot: na passagem da carta da Morte para que o ano, como Fênix, renasça cheio de novos desafios, novas perdas e novas vitórias.



Em síntese, sabemos que estamos frente a um ciclo que está para se renovar. Este é o momento para olhar para trás e para dentro a fim de entender o que se passou neste último ano, e, então, ir de peito aberto ao ano que vem aí. O ano de 2019 não foi um ano qualquer, na astrologia, foi marcado por Marte/Ares; na Umbanda, um de seus orixás regentes foi Ogum. Isto é, um ano repleto de batalhas travadas.


Um ano em que se viu mais Poder e unilateralidades do que Amor e a alteridade. Se é o momento de olharmos para dentro e para trás, é o momento também de olharmos para baixo e ver o campo desta batalha, retirar os espólios deixados, e entender o que fizemos no calor do decorrer do ano.

O Brasil e o mundo iniciaram e terminaram o ano de 2019 polarizados, em guerra. Logo em janeiro, a luta por sobreviventes do crime acontecido em Brumadinho foi terrível. Ao decorrer do ano, nos deparamos com pichações nazistas em sepulturas de judeus, perto de Estrasburgo, na França; Ainda neste país, um incêndio invadiu Notre-Dame; Tsunamis e terremotos atingiram o Japão; Voltando ao Brasil, um massacre foi feito em uma escola de Suzano-SP; outro em um presídio em Manaus; Manifestações em prol da educação foram feitas repetidas vezes em diferentes Estados brasileiros; e, ineditamente, na história da humanidade, uma “manifestação” em prol do Governo foi feita, em São Paulo; neste ritmo, houve um levante terraplanista jamais visto na atualidade; Parte de nossa Grande Mãe, Amazônia, virou cinzas e cobriu o país com uma nuvem de fumaça, às três horas da tarde, em São Paulo, o céu escureceu e um clima de filme apocalíptico pairou no ar; Óleo foi despejado no mar costeiro brasileiro e já percorreu quase toda a costa do país, afetando sua biodiversidade; A "pirralha" Greta Thunberg discursou na ONU e os líderes mundiais não a deram ouvidos.


Se pudéssemos escolher uma imagem para representar 2019, facilmente, poderia ser o muro o qual Donald Trump construiu entre os EUA e o México. Um muro é e sempre será a atuação do diabólico – aquilo que divide. Diferente do simbólico – aquilo que une. Contudo, curiosamente, em meio à tanta unilateralidade, e por um movimento enantiodrômico, neste mesmo muro, surgiram gangorras, nas quais as crianças começaram a brincar. O autoritarismo e repulsa que o muro criou, virou o alicerce para que as gangorras fossem construídas. A Criança Divina, a qual Nietzsche afirma ser o último estágio do espírito humano, emergiu em meio a tanta ação diabólica.


A gangorra poderia ser a imagem que desejamos para 2020. Afinal, ela está posta aí como o Simbólico, aquilo que une, buscando a alteridade e o Amor. Mesmo se somarmos ou multiplicarmos entre si o número "2020", o resultado será 4: número da totalidade, da integração e da Coniunctio Oppositorum. Talvez o ano que vem seja um convite para a Coniunctio. “Integração com o quê?” poderiam perguntar. Com tudo o que está na Sombra. Seja pessoal e/ou coletivamente. Sabemos que é tremendamente difícil tal processo de integração, mas ele nunca foi tão urgente. Não à toa o protagonista cinematográfico do ano foi o Coringa. O personagem veio para nos mostrar que todos somos coringa, portanto, capazes das unilateralizações mais extremas. Devemos reconhecer e conhecer o autoritário, o preconceituoso, o violento, o ladrão, em nós mesmos, para que eles não sejam uma ameaça ao outro.


É tempo de usar e subverter as armas deixadas por Marte/Ares/Ogum para construir as gangorras que unem cada criança em nós. Como C. G. Jung afirma, o Poder não impera quando o Amor está posto e vice-versa, um é o oposto do outro. Desejamos que este novo ano seja marcado pelo Amor: cheio de compaixão (sem resignação), de alteridade, empatia e diversidade.

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