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Ativar Arquétipos? Pode isso?

Atualizado: há 22 horas

Muito tem-se falado de Carl Gustav Jung e sua teoria dos arquétipos e do inconsciente coletivo, isto é, padrões universais compartilhados por todas as culturas e civilizações. No entanto, é importante salientar que, segundo sua teoria, a "ativação" dos arquétipos é um processo que não pode ser manipulado diretamente. Por vezes, Carl Jung utiliza o termo "ativação", mas não se referindo ao ego como um agente da ativação. Afinal, como ele afirma: o arquétipo impõe-se.

Ativar Arquétipos
Ativar Arquétipos


Os arquétipos, de acordo com Carl Gustav Jung, são formas, estruturas psíquicas inatas de experiências humanas, que se manifestam por meio de símbolos, mitos e histórias, isto é, representações arquetípicas. Aquilo que é manifesto, portanto, não é o arquétipo em si, mas uma imagem manifesta.


Essas imagens e padrões arquetípicos emergem do inconsciente coletivo, que é uma parte profunda e compartilhada da psique humana, provinda da herança cultural, histórica e evolutiva humana (ou do universo). O inconsciente coletivo difere do inconsciente pessoal, que é formado por experiências individuais e vivências pessoais.


É importante esclarecer que Carl Jung não considerava possível "ativar" arquétipos de maneira deliberada, intencional ou consciente. Em vez disso, os arquétipos emergem de forma espontânea do inconsciente coletivo, moldando e influenciando a experiência e o comportamento humano.





Os arquétipos, segundo Jung, manifestam-se por meio dos sonhos, da imaginação ativa, dos transes e rituais.


Todas essas formas de manifestação demandam de um rebaixamento da consciência para que o inconsciente coletivo possa adentrá-la, totalmente diferente do que estão praguejando nas redes sociais: "concentre-se nas características da imagem que você baixou do pinterest!".


Para Jung, portanto, é impossível somente a consciência criar um símbolo (uma representação arquetípica); o processo se dá quando há um encontro entre inconsciente emergindo e a permeabilidade da consciência. Ou seja, a relação entre essas instâncias, é de suma importância.


O arquétipo, ou melhor, a imagem arquetípica emerge em um processo espontâneo e natural, que não pode ser forçado ou manipulado intencionalmente.


Falar em ativar arquétipos de forma deliberada seria contraproducente, já que isso poderia levar a distorções na compreensão e interpretação da teoria junguiana.


Além disso, os arquétipos existem e não existem e não podem ser reduzidos a representações concretas ou simplistas. Eles são multifacetados e se manifestam de diferentes formas em diferentes culturas e indivíduos. O arquétipos não são nem bons, nem maus, são ambos; não são nem morais, nem imorais, são ambos e nada disso.


A tentativa de ativar ou manipular um arquétipo de forma direta e consciente pode resultar em uma compreensão limitada e estereotipada, ignorando a riqueza e a complexidade das experiências humanas que os arquétipos representam para a teoria junguiana.


É essencial reconhecer que o trabalho de Carl Gustav Jung com os arquétipos e o inconsciente coletivo não se baseava na ideia de que os arquétipos podem ser ativados ou controlados. Em vez disso, ele enfatizava a importância de explorar e compreender a psique humana, incluindo os padrões arquetípicos e o inconsciente coletivo, através do processo de individuação.


Esse processo envolve o reconhecimento e a integração das várias facetas da personalidade, incluindo aspectos conscientes e inconscientes, a fim de alcançar uma maior harmonia e autocompreensão.


Por isso, a meta não é tornar-se perfeito, rico, poderoso. Mas, completo, do céu ao inferno.


Em síntese, a impossibilidade de ativar arquétipos de forma consciente é uma consequência da natureza inerente do inconsciente coletivo e dos próprios arquétipos, que são inacessíveis ao controle racional e voluntário. Ao invés de buscar ativar arquétipos para tornarmos-nos ricos e poderosos, poderíamos começar, primeiro, indo lavar a louça de casa.


Leonardo Torres, analista junguiano.




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