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Analfabetismo Funcional e a Psicologia das Massas



Um dos índices mais alarmantes no Brasil, sem dúvidas, é o do analfabetismo funcional. De acordo com o Instituto Paulo Montegro (INAF) 30% dos brasileiros são considerados analfabetos funcionais, isto é, aquele indivíduo que possui conhecimento básico de leitura e escrita cuja demanda é especificamente social, por isso mesmo, possui certa dificuldade em interpretar textos, identificar ironias e promover certa dialética ou até mesmo simplesmente duvidar de algumas "verdades".



Esta condição de maneira alguma revela que existem brasileiros "vagabundos" ou que não gostam de estudar, como uma possível meritocracia poderia defender. Na realidade, revela o quão mal intencionado é o Governo brasileiro, salvo poucos. Pode-se ainda ir mais além: o analfabetismo funcional no Brasil é um projeto de Governo e uma estratégia do Governo.


A educação e o letramento proporcionam que o pensamento se desenvolva, mas não somente o pensamento racional, por exemplo, a partir da literatura, da poesia, etc. aprende-se demasiadamente sobre inteligência emocional.


Não havendo aprofundamento nestes âmbitos, o indivíduo permanece em uma mentalidade primitiva ou participação mística, termos de Levy Bruhl, que, atualmente, pode ser traduzida para uma mentalidade grupal com pouca consciência e altamente manipulável. As fake news são um ótimo exemplo de manipulação ou manobra de massas, pois quando não há consciência que duvide da notícia, tudo torna-se verdade, então, a ideologia por detrás da notícia falsa é captada e internalizada. Por isso, como diria Manuel Castells, para quem luta pelo poder, manipular as mentes é mais eficaz do que torturar corpos.


A mentalidade primitiva tende a dualizar a vida: isso é bom ou ruim; aquilo é agradável ou desagradável, concebendo a realidade como se fosse preta ou branca, esquecendo-se dos variados tons furtacor entre elas, garantindo a manipulação, por exemplo, de quem será o herói e o inimigo nas próximas eleições. Excluindo um ou outro indivíduo com más intenções que querem eleger seus candidatos para o seu próprio bem, promovendo demagogias.


A mente humana vem tomando consciência desde muito tempo. Um dos principais momentos foi o da sedentarização, possivelmente sendo um fator sine qua non do desenvolvimento da escrita e da matemática. A palavra "ghrebh-", etimologicamente, em indo-europeu, é "cavar e escavar", mas também "inscrever e escrever", levando sentido à "kerban" (germânico), "graphium" (latim) e "graphein" (grego). Grafar ou inscrever algo seja no pedaço de terra (no pagos) ou na página é uma tentativa de deixar uma marca neste mundo bem como diferenciar-se dele, indicando a surgência de uma consciência.




Curiosamente, mas já previsto por C. G. Jung, Edgar Morin, Jean Baudrillard, Yuval Noah Harari, entre outros, a sociedade vive hoje em um ambiente repleto de informação, mas com pouca consciência, agravando ainda mais a mentalidade primitiva ou das massas. Harari afirma que o futuro será de uma maioria inútil, consumista, sustentada por uma renda mínima, o que parece a perda total de um sentido de vida.


Resta votar melhor, olhar para dentro, afinal é necessário cuidar de nosso próprio quintal, promover a educação e rezar/orar/meditar para que a enantiodromia venha e promova mais consciência para a humanidade.


Autor: Leonardo Torres, 30 anos, analista junguiano, palestrante e doutor em comunicação e cultura.


REFERÊNCIAS:








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