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A resposta do mendigo ao imperador



Foto: Pixabay


Um dia o homem mais poderoso do mundo, Alexandre - O Grande, cruzou com Diógenes de Sínope, um homem que vivia em um barril, com poucos ou nenhum traje e alimentando-se de restos. Se o primeiro era conhecido como O Grande, este era conhecido como Kinos, o cão.


Alexandre intrigado com a situação do mendigo ordenou que Diógenes lhe pedisse qualquer coisa que ela seria concedida.


Diógenes respondeu: "Não me tires o que não me podes dar!"

Alexandre estava em frente a Diógenes, fazendo-o sombra e atrapalhando o seu banho de sol.

A resposta afetou vivamente Alexandre, que, na voltando ao seu reino, ouviu seus oficiais dizendo às gargalhadas: "Se eu não fosse Alexandre, queria ser Diógenes."

A preocupação de Alexandre ao se encontrar com Diógenes pode ser entendida como complexio oppositorum: dualidades se aproximando e interagindo. O mendigo e o imperador; o homem mais poderoso e inflado e o cão desinflado; o criador e a criatura. Apesar de haver uma sombra literal no conto, um é psicologicamente a Sombra do outro. Vale a leitura de Resposta a Jó, de Carl G. Jung, quando analisa o mito de Jó.


Os oficiais de Alexandre, já fazendo uma análise psicológica, poderiam ser as vozes do próprio Alexandre, percebendo a sua Sombra e invejando a liberdade, a despreocupação e a felicidade do mendigo.


Curiosamente, o que Diógenes queria Alexandre (o mais poderoso) não poderia dar: o Sol, símbolo de esplendor e poder. Isso pode ter mostrado a Alexandre que existem coisas infinitamente mais poderosas que ele mesmo e que é necessário tomar cuidado com o que tomamos emprestado das coisas da vida, isto é, ser autoridade (ter certo poder) e tomar um sol é saudável até certo ponto. Passando deste limite, a queimadura é certa: a psicologia chama isso de inflação do ego; os gregos entendem como hybris: sair do seu limite humano (do métron) e tentar igualar-se aos deuses. Quando isso acontece, sempre há um castigo por parte dos deuses. Veja Ícaro, Sísifo, Prometeu e outros.



Fica a reflexão de encontrar o Alexandre e o Diógenes dentro de nós e fazer eles conversarem. Talvez assim, o nosso Alexandre saia um pouco mais criatura e o nosso Diógenes não precise ficar se alimentando somente dos restos.


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