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3 Coisas sobre Arquétipos da Psicologia Analítica

Atualizado: 14 de abr. de 2022

Um importante Fundamento da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung


A palavra "arquétipo" tem sido muito utilizada e muitas vezes de forma errônea. Uma das grandes preocupações de C. G. Jung, fundador da psicologia analítica, era exatamente essa instrumentalização de sua teoria e de sua empreitada na alma e aparentemente o autor previu o que estamos presenciando hoje: sua teoria sendo empregada no marketing; adequada para realização de testes padronizantes; e estruturada a fim de instrumentalizar os arquétipos. Por isso, fica aqui 3 pressupostos sobre os arquétipos que desconstroem a utilização contemporânea da teoria junguiana.



O que são arquétipos Jung


1 – Arquétipos não são imagens visuais, nem mesmo ideias herdadas: os arquétipos são estruturas/formas fundantes e herdadas da psique humana. É impossível contabilizá-los. Na realidade, afirmar uma quantidade ou categorizar essas imagens primordiais seria afirmar que o inconsciente coletivo é conhecido e já foi explorado. Neste caso, certa está Nise da Silveira ao afirmar: "sou uma estudiosa do abismo, mesmo que do abismo eu só conheça as bordas".


Hoje, uma ciência nova que avança neste estudo é a neurociência. Vale a pena ler "A Estranha Ordem das Coisas", de Antônio Damásio. O autor afirma que se as hipóteses estruturais da gênese da vida que estão sendo levantadas pela neurociência atualmente forem confirmadas, "o inconsciente humano literalmente remonta a forma de vida dos primitivos, em um grau mais profundo e há mais tempos do que Freud e Jung jamais sonharam".


2 – Não é possível usar ou ativar um arquétipo: considerar essa hipótese é acreditar que o ego possui alguma influência ou poder sobre os arquétipos, bem como crer no subjugo de alguma funcionalidade específica para um arquétipo. Jung, em Símbolos da Transformação e vários outros livros, afirma que os arquétipos são autônomos e de natureza psicóide – não sabemos, portanto, de que maneira um arquétipo pode emergir na humanidade, nem quando e nem onde. Considerar que podemos usar algo que é inefável, arcaico, aespacial e atemporal é, no mínimo, húbris – uma desmedida egóica.


Jung discorre em Psicologia do Inconsciente: "os arquétipos são, portanto, coisas extremamente importantes, de efeito considerável, e que merecem toda a nossa atenção. Não devem ser simplesmente reprimidos, mas, devido ao perigo de contaminação psíquica, convém levá-los muito a sério". Quer saber mais sobre Contágio Psíquico? Leia meu livro.


Vale lembrar de quando Sêmele pede para que Zeus se mostre em sua totalidade para ela. Não podendo recusar, a humana é fulminada na hora. Portanto, cuidado.



3 – Não há nada de metafísico nos arquétipos: ou seja, arquétipos não são deuses metafísicos. Quando Jung começou a utilizar a concepção de arquétipo, "causou grande celeuma, pois não se percebeu que se tratava apenas de um conceito psicológico e não de um enunciado metafísico. O fato psíquico "Deus" é um tipo autônomo, um arquétipo coletivo, como o chamei mais tarde. Por isto não só existe em todas as formas superiores de religião, mas aparece também espontaneamente em sonhos individuais. O arquétipo é uma formação psíquica inconsciente, mas que tem existência real, independentemente da posição tomada pelo consciente. É uma existência anímica, que como tal não se pode ser confundida com o conceito de um Deus metafísico. A existência de um arquétipo nem estabelece nem nega Deus. (Símbolos da Transformação n.r. 29, p. 48-49).



Dr. Leonardo Torres, analista junguiano e autor do livro Contágio Psíquico: a loucura das massas e suas reverberações na mídia

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