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Os sentimentos que te adoecem



Hoje em dia o cotidiano de muita gente se resume em acordar, trabalhar, chegar em casa (para os que não podem ficar em casa), arrumar a casa, descansar normalmente acompanhado de um aparelho eletrônico, seja uma televisão ou um celular, ou os dois, e ir dormir. Neste meio termo esquece-se de fazer algo muito importante: estar e descansar em si, ou melhor, olhar para dentro.



Onde foi parar aquela alegria que te acometeu no meio do dia quando alguém te trouxe um café, ou então, aquele estresse ou tristeza que te tomou devido ao trabalho, uma briga pessoal, etc.? Tudo ainda está em você, mas sem olhar para dentro, ali permanece crescendo e acumulando. Muitas vezes esses sentimentos acabam sendo projetados em alguém ou então são tão represados que fazem o indivíduo adoecer.


A Psicossomática há anos vem provando o quão importante é este movimento para o interior de si. Diversos sintomas que afetam fisicamente um indivíduo possuem uma psicogênese, ou seja, uma raiz em questões psicológicas mal resolvidas. Aquela dor de cabeça que não te larga nunca, a gastrite que te queima logo pela manhã, entre outras que possuem até um maior risco à vida como infarto.


Apesar de se querer tratar com medicamentos as dores físicas do cotidiano e de uma vez por todas sumir com elas, é um fato que ela irá voltar, pois, os remédios acabam com os sintomas, mas não chegam às questões reais do problema. Somente é possível uma transformação deste estado de dor, na medida em que se cuida tanto dos sintomas quanto de suas raízes. E o processo não é tão fácil quanto a internet mostra afirmando ser uma receita de bolo: “se é dor de garganta é porque a pessoa não está falando o que quer para alguém”.



A transformação deve ocorrer em todos os aspectos, interna e externamente. Muitas vezes quando o indivíduo vai para dentro de si e percorre os infernos de seus sentimentos, ele volta para fora com outras atitudes – ele se revolta com as atitudes antigas. É comum, neste momento, que o cotidiano mencionado acima seja transformado para que ele passe mais horas com si mesmo, pratique algum esporte, se envolva com arte, espiritualidade, ou até mesmo um hobby, fazendo com que ele permaneça em si mesmo e desenvolvendo uma vida mais harmoniosa.


Isso faz com que as dores sejam passado, pois elas também são transformadas. Na verdade, elas são um chamado ou um convite a essa transformação. Como C. G. Jung afirma, quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta.



Autor: Leonardo Torres, 30 anos, analista junguiano, palestrante e doutor em comunicação e cultura.

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