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O Simbolismo dos Druidas

Atualizado: 14 de abr. de 2022

Qual é a simbologia ou o significado espiritual do Druida?


Trecho retirado do livro Dicionário de Símbolos, de J. Chevalier e A. Gheerbrant. Compre o livro e incentive nosso blog:


O nome do druida é, etimologicamente, o da ciência (dru[u]id – os muitos sábios) e há uma primeira equivalência semântica com o nome do bosque e da árvore (-vid). Mas a árvore é, também, um símbolo de força, e os druidas celtas tem direito à sabedoria e à força.


É o que resume a etimologia analógica de Plínio, que põe o nome do druida em relação com o nome do carvalho, drus. Malgrado as hesitações dos antigos de alguns modernos também, que querem ver neles unicamente filósofos, há que considerá-los como os correspondentes estritos dos brâmanes da Índia.


Gandalf, o Branco, em Senhor dos Anéis

São, na verdade, sacerdotes, e suas doutrinas tem essência metafísica. Caso único, com efeito, na Europa ocidental, eles constituem uma classe sacerdotal, organizada e hierarquizada: sacerdotes sacrificadores, adivinhos ou satiristas, vates ou especialistas em ciências físicas.


Os druidas podem ser não apenas sacerdotes mas também conselheiros muito ouvidos (o druida foi suplantado pelo capelão ou confessor na época cristã). Os adivinhos ou poetas podem ser juízes e historiadores (mas não são, jamais, satiristas). Os vates são médicos. A acumulação de funções, todavia, não lhes é interdita.

A Irlanda forneceu toda uma série de nomes ligados, principalmente, à adivinhação ou à sátira. Na Gália só se conhece o nome de gutuater (druida) invocador. Os druidas governam, transcendem toda a sociedade humana, e dominam o poder político: na Irlanda como na Gália, o druida fala antes do rei.


São os druidas que regulam a eleição real e que determinam a escolha do candidato (ou candidatos). Influenciam, também, toda a classe guerreira, que encerram numa teia apertada de proibições e obrigações, coletivas ou pessoais, e que castigam quando necessário por meio de um arsenal mágico dos mais aperfeiçoados.


Sendo a classe sacerdotal um reflexo da sociedade divina, os druidas simbolizam todo o panteão por suas qualidades e suas funções. Livres de toda obrigação, eles tem direito, ao mesmo tempo, ao sacerdócio e à guerra, o que corresponde a um aspecto extremamente arcaico da tradição.


O Druida Diviciacus comanda um corpo de cavalaria e o druida irlandês Cathbad maneja a espada. Mas o papel precípuo dos druidas é regular os contatos entre os homens e o Outro-Mundo dos deuses, por ocasião das grandes festas anuais. Essa é também a razão pela qual eles se limitam, de preferência, às suas funções sacerdotais.


O druida Mog Ruith, solicitado pelos habitantes do Munster, pede recompensas suntuosas mas não aceita qualquer acesso à realeza para ele ou seus descendentes. Há muito menos traços da existência de druidas entre os celtas britânicos (mas cumpre lembrar que os druidas da Gália, segundo César, e da Irlanda, segundo todos os textos lendários, iam completar sua instrução na Grã-Bretanha. O único testemunho concreto disso é a destruição, registrada por Tácito, do santuário de Anglesey, no séc. I d.C. por um exército romano).


A classe sacerdotal não sobreviveu na ilha: a cristianização foi mais precoce que na Irlanda. Todo o legado intelectual dos druidas foi confiado aos bardos, os quais, na Irlanda, não fazem parte da classe sacerdotal. Todas as organizações atuais que se dizem de inspiração druídica não passam de criação ex nihilo, sem qualquer valor tradicional.




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