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Ciúmes de Tudo: o que a Psicologia Analítica diz

Atualizado: 13 de out. de 2023

É importante reconhecer as crises de ciúmes


De postar fotos nas redes até modificar os status para namorando nas redes sociais para provocar ciúmes. Tem gente até que sonha com o ciúmes. O que a psicologia analítica pode dizer sobre?


O amor sempre foi uma das grandes questões da humanidade. Sigmund Freud (de sua maneira), Carl Gustav Jung, Nise da Silveira já afirmaram há muito tempo que o amor per se cura, já outros autores como Charles Bukowski tendem a acreditar que ele destrói, e ainda, outrem, como Z. Bauman, afirmam de forma crítica que o amor perdeu-se e foi transformado em algo em mais efêmero e menos profundo. Mas, Como entender ciúmes e psicologia?


Amor e Ciúmes na Psicologia

Muitos ficam divididos entre um ou outro autor para entender o fenômeno do amor, porém, apesar dos paradoxos não serem convidativos à racionalidade humana, é necessário entender que todos estes autores podem estar corretos e que o amor agrega todas estas características.


Os gregos antigos categorizaram sete tipos de amor: philautia (amor próprio); pragma (amor pragmático); ludus (amor lúdico e efêmero); philia (amor de amigos e irmãos); e eros (paixão, desejo, romance).


Eros é o mais travesso destes todos e o mais avassaldor. Lúcio Apuleio é brilhante em descrever Eros como um mobilizador tanto individual quanto coletivo, um destruidor e reconstruidor de cidades, isto é, de nossas estruturas internas. Vale lembrar que essa pulsão destrutiva/criativa dá-se devido as suas flechas que misturaram-se com as de Tânatos, certa vez.


Marie-Louise von Franz demonstra que a paixão erótica e seu sofrimento é um dos principais caminhos para o processo da individuação. Quem é flechado pelo deus do amor fica embriagado, em êxtase (não alcoólico). Abre-se aí uma oportunidade de reconhecimento de si. E por isso mesmo, Dionísio e os Sátiros (Pan) vem dançar no coração do apaixonado. Estar apaixonado, muitas vezes, é estar sentindo o amor, a embriaguez e o pânico de Eros, Dionísio e Pan em nós.


Isso significa que o oposto do amor não é medo. C. G. Jung, fundador da psicologia analítica, já apontou que o seu oposto é o poder. Enquanto o amor é o eixo horizontal entre indivíduos, o poder é o eixo vertical, de hierarquia. E é aí que existe uma grande questão atualmente: a humanidade está cada vez mais pautada pelo dogma do "ter" e do "parecer que tem". É necessário ter bens materiais, status e até "ter um relacionamento". Sem delongas, de fato, possuir algo é uma ilusão, mas é nesta ilusão hierárquica que a humanidade tem se apoiado.


Um relacionamento de paixão pautado pelo eixo vertical faz com que os apaixonados acreditem que são donos do outro indivíduo. E muitas vezes, inicialmente, esta dinâmica encaixa-se perfeitamente, pois este indivíduo coloca-se na posição de posse, de objeto do outro, portanto, em uma posição inferior e acaba aceitando um relacionamento deste tipo.


Vale lembrar que Zelar e Ciúmes possuem a mesma origem etimológica: zelus. Neste tipo de relacionamento de posse, o zelo e o cuidar tornam-se ciúmes, possessão e obsessão.


A ilusão da posse torna-se tamanha que inconscientemente o apaixonado sabe que é impossível ser o dono/possuidor do outro e, então, tende a inflar a ilusão demasiadamente, chegando a hierarquizar, tratar o outro como objeto e violentar.

O processo da individuação pode passar por este caminho. É necessário atravessar esta dinâmica de possuidor/posse para o possuidor entender que não há como controlar e possuir o outro, bem como aquele que coloca-se no lugar da posse deve apreender que não deve se perceber como mero objeto. Ambos, se comprometidos com o autoconhecimento, deveriam sair mais conscientes de um relacionamento como este.


Por isso, vale sempre se perguntar e olhar para os nossos relacionamentos de todos os tipos: familiares, de amizade e amorosos e perguntar em qual dinâmica eles estão agindo? Será a do amor ou a do poder?


Leonardo Torres, analista junguiano.

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